Degenerescência macular relacionada com a idade afecta 30 milhões de pessoas
Chega ao ritmo da inevitável passagem dos anos e vem afectar a zona mais nobre da visão. Com a sua evolução, o doente fica a ver o mundo por detrás de uma sombra escura, que lhe rouba a visão central. E apenas deixa ficar a visão periférica que mostra uma realidade desfocada.Afecta já cerca de 30 milhões de pessoas em todo o mundo. «Nos países industrializados, é a principal causa de cegueira em pessoas acima dos 50 anos», como constata o Dr. Paulo Rosa, oftalmologista do Instituto Oftalmológico Gama Pinto.
Em Portugal, estima-se que cerca de 45 mil pessoas entre os 50 e os 59 anos tenham DMRI. Este número sobe para perto de 100 mil afectados entre os 60 e os 69 anos e para quase 300 mil acima dos 70 anos.
A DMRI é uma doença degenerativa da retina que afecta a mácula – parte central da retina –, responsável pela visão nítida e focada das formas e das cores. Como o próprio nome indica, está relacionada com a idade e começa a surgir depois dos 50 anos.
"A percentagem de doentes afectados pela DMRI sobe significativamente à medida que a idade vai aumentando, atingindo 30% das pessoas com mais de 75 anos", revela o mesmo oftalmologista.
E a tendência parece ser a de estas percentagens virem a crescer, até porque "a esperança média de vida está a aumentar e, dentro de algumas décadas, o número de pessoas afectadas será enorme", como preconiza este especialista. A comprovar esta tendência surgem, a cada ano, cerca de 30 mil novos casos desta doença.
No entanto, a DMRI não leva à cegueira absoluta. "Mesmo em fases avançadas da patologia, o doente continua a manter a visão periférica, o que lhe permite uma orientação razoável, suficiente para as suas necessidades básicas", refere Paulo Rosa.
Mas, uma vez que se perde a visão central e de pormenor, com a agravante de, frequentemente, a DMRI afectar os dois olhos, as limitações na vida de uma pessoa são várias. "O doente deixará de poder efectuar tarefas do dia-a-dia, como escrever, ler, marcar os números de telefone, contar moedas, ver televisão, conduzir, fazer a sua assinatura ou distinguir os comprimidos que deve tomar", adverte este oftalmologista.
"Para além do avançar da idade, que é o factor de risco mais importante, existe uma forte influência genética e já foi identificada a associação entre o fumo do tabaco e a DMI", esclarece Paulo Rosa, que complementa: "Outros factores menos conclusivos, mas de potencial importância, são a aterosclerose, a exposição exagerada à luz solar, uma alimentação pobre em antioxidantes e a hipertensão arterial."
A incidência da patologia aumenta com a idade, porque as células receptoras da visão estão constantemente a ser renovadas. Mas, a partir de certa idade, essa renovação não é tão eficaz. Então, a acumulação destas células mortas começa a criar condições para o seu aparecimento.
A perda da visão associada à degenerescência macular relacionada com a idade não tem de ser uma consequência inevitável do envelhecimento. A detecção precoce e o tratamento atempado podem controlar a progressão da doença.
