Embora comum durante o calor, essa doença pode levar a quadros mais graves. Higiene e proteção são as palavras de ordem.
Quando as temperaturas começam a subir, a grande preocupação das pessoas passa a ser com a proteção solar para não expor a pele aos efeitos nocivos dos raios ultravioleta e UVB. Além do filtro solar, muitos, motivados pela preocupação com a saúde ou simplesmente por questões estéticas, também adotam o uso de óculos de sol. Porém, o que a maioria das pessoas desconhece é que, assim como a pele, os olhos merecem atenção redobrada durante o verão, já que o calor favorece o desenvolvimento de doenças como a conjuntivite e o olho seco. Além dos óculos escuros, lavar bem as mãos e evitar aglomerações são medidas importantes para a saúde dos olhos.
"A elevação da temperatura ambiente facilita a proliferação de vírus e bactérias na conjuntiva. A poluição irrita as mucosas em geral, como a conjuntiva, as narinas e a garganta", analisa o Dr. Jorge Mitre, presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo, fundador e diretor do HOSP - Hospital de Olhos de São Paulo.
Fatores externos como a poluição do ar, típica das grandes cidades, são facilitadores da proliferação de vírus e bactérias, porém, durante as temporadas de férias nas regiões praianas, onde o ar é mais quente, os riscos de se contrair conjuntivite se tornam ainda maiores. Isto porque sol, areia do mar e cloro da piscina também são agentes irritantes da conjuntiva. "É preciso ter muito cuidado com a higiene durante o relax na praia, já que a contaminação também pode se dar pelo contato das mãos mal lavadas com o olho", lembra o Dr. Jorge Mitre. O cigarro e as poucas horas de sono também colaboram para a proliferação da conjuntivite, que é a inflamação da conjuntiva (tecido que reveste e parte anterior do olho entre as pálpebras) e a esclera (tecido branco do olho).
Os primeiros sinais da conjuntivite são incômodos: sensação de cisco (corpo estranho) no olho, lacrimejamento e surgimento de uma secreção aquosa ou purulenta (vírus ou bactéria). Para tratar os sintomas, o Dr. Jorge Mitre recomenda a aplicação de compressas frias e o uso de colírios lubrificantes, em casos de conjuntivite alérgica, ou de colírios que bloqueiam a migração de mastócitos. Para eliminar a causa é indispensável um tratamento à base de colírios de antibióticos ou de corticosteróides, sempre com prescrição de um oftalmologista.
"O uso indiscriminado de colírios pode trazer graves conseqüências", alerta o diretor do HOSP - Hospital de Olhos de São Paulo. "Colírios à base de corticóides, quando usado por longos períodos, podem levar a glaucoma e catarata. Já os colírios com vasoconstritores, muito usados em olhos vermelhos, podem produzir o efeito rebote, ou seja, depois de algumas horas, o olho fica mais vermelho que antes da aplicação", ensina. Como a conjuntivite é contagiosa, a pessoa infectada deve evitar freqüentar aglomerações.
Embora seja uma doença muito comum no verão, a conjuntivite não deve ser encarada como um problema sem maiores conseqüências. "A conjuntivite, se não tratada, pode levar a outras doenças como ceratite (inflamação da córnea) e até úlceras de córnea, que podem levar a opacidades desta perfuração do olho. Por isso, deve-se ter muito rigor e urgência no tratamento para que o quadro não se complique", explica o Dr. Jorge Mitre.
De olho nas lentes
Outra medida benéfica para a saúde dos olhos no verão é o uso de óculos escuros. Mas é preciso ser bastante criterioso na hora de comprá-los. Com a multiplicação da pirataria, é possível encontrar modelos idênticos aos de grife com preços infinitamente inferiores, no comércio popular. Porém, essa "economia" na hora de comprar pode gerar sérios problemas no futuro. "Os óculos e as lentes vendidas em boas óticas são fiscalizados pelo IMETRO e pela ANVISA", explica o presidente da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo. "Já os óculos piratas não possuem proteção contra raios ultravioleta e as armações podem machucar quando quebram, pois não são confeccionados com materiais adequados", completa. Para garantir a capacidade de proteção das lentes, algumas lojas contam com um aparelho denominado Multifunção UV, que acusa quando as lentes não são eficientes.
