Porto Alegre se juntou ao clube restrito dos municípios dotados de legislação para proteger os olhos de suas crianças
O prefeito José Fogaça sancionou no dia 18 de junho uma lei que torna obrigatória em hospitais que atendem pelo SUS a realização de um exame ocular gratuito em todos os recém-nascidos.
O secretário municipal de Saúde, Pedro Gus, prometeu definir como funcionará a oferta do Teste do Olhinho. Similar ao Teste do Pezinho, o exame ocular diagnostica enfermidades que podem levar à cegueira. Estima-se que 80% dos casos de deficiência visual congênita possam ser evitados com o exame. Hoje, em metade dos casos os defeitos são descobertos quando o bebê já está cego.De autoria do vereador Aldacir Oliboni, o projeto depende da regulamentação para começar a ser aplicado nos berçários.
-As maternidades estão equipadas. A partir do dia 19 de junho vamos discutir como treinar o pessoal o mais rápido possível – diz Gus.Até agora, poucas cidades do país, como São Palo e Rio de Janeiro, oferecem o Teste do Olhinho como rotina das maternidades.Pela lei de Porto Alegre, o exame será feito nas primeiras 48 horas de vida, com um equipamento que avalia o reflexo da incidência de luz vermelha no olho. Caso seja detectada alguma alteração, a família deve ser comunicada, e a criança, encaminhada a tratamento.Segundo o oftalmologista pediátrico Giovanni Travi, com o diagnóstico precoce é possível reverter o avanço de doenças como glaucoma e catarata por meio de exercícios de estimulação da visão ou de cirurgia.
- Os primeiros quatro meses de vida são críticos. É nesse período que os neurônios estão prontos a desenvolver a visão. Depois essa capacidade vai minguando até acabar. A falta de experiência visual nesse determina déficits irreversíveis – explica Travi, presidente do conselho consultivo do Instituto Ver Hesíodo Andrade, que ajudou o vereador Oliboni a montar o projeto.
Instituto defende a oferta do exame em todos os municípios
O Instituto Ver quer conscientizar as autoridades sobre a importância de tornar obrigatório o teste em todos os municípios. Conforme Travi, o oftalmoscópio, equipamento usado no exame, custa R$ 400 e pode mudar o destino de milhares de crianças. No fim de semana, o instituto fez o teste em 90% dos bebês menores de seis meses de Canela e Gramado. Emellyn Ester da Silva, dois meses, foi beneficiada.
- Quando soube da importância do exame, vim na hora. Graças a Deus, a visão de Emellyn é normal – contou a mãe.
