Espera por transplante de córnea chega a dois anos em São Paulo

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O número insuficiente de equipes e a conseqüente falta de captação em hospitais da periferia e em necrotérios estão fazendo com que a espera pelo transplante de córnea chegue a dois anos no estado de São Paulo, onde há 5.494 pacientes à espera de uma doação. No Brasil, há 23 mil pessoas na lista.  Diferentemente do que acontece com outros órgãos, não é necessário o diagnóstico de morte cerebral para se retirar a córnea. Qualquer pessoa que tenha tido seu coração parado há até seis horas, seja por qualquer motivo, é um possível doador. "Por isso, as possibilidades de se conseguir uma doação seriam muito maiores se a captação não estivesse tão centralizada", diz Leôncio Queiroz Neto, diretor médico do Banco de Olhos de Campinas e oftalmologista do Instituto Penido Burnier.  O estado possui 11 centrais regionais de captação de córnea, sendo que seis estão no Interior (Sorocaba, Campinas, Marília, Botucatu, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto) e cinco na Capital (Santa Casa, Hospital das Clínicas, Hospital São Paulo, Hospital do Servidor Público Estadual e Banco de Olhos de São Paulo - Hospital Alvarenga).  A procura pelas córneas é feita por estas centrais estaduais e por entidades autorizadas pelas mesmas (de acordo com normas do Ministério da Saúde), principalmente no Interior. "O fato é que estas entidades precisam de mais incentivo do poder público para atuar nos locais onde realmente terão mais córneas, como nos necrotérios", comenta Queiroz Neto. O médico diz que a fila de espera por córnea no país poderia zerar em quatro dias com mudanças no sistema de captação. Vale lembrar que para receber a córnea não é necessário compatibilidade.  O coordenador da Central de Transplantes de São Paulo, Luiz Augusto Pereira, reconhece que a captação poderia ser maior. "Há uma dificuldade grande de se chegar a tempo nos hospitais da periferia." Para amenizar o problema, a Secretaria Estadual da Saúde firmou uma parceria com a central de captação de Sorocaba, que vai assumir a busca em hospitais periféricos da Capital (Itapevi, Carapicuíba, Itaim Paulista, Itaquaquecetuba, Guarulhos e Mandaqui).  A cada ano, o estado registra 5 mil novas inscrições para transplante de córnea. Na lista está o físico Walter Roberto Espósito Miguel, de 60 anos, que espera há dez meses por um doador. "Fiz um transplante de córnea em 1979, mas o resultado foi ruim. Agora preciso de uma nova, pois praticamente não enxergo mais. Não vejo a hora de ser chamado", conta. No ano passado, foram realizados 3.200 transplantes.

Source: Diário de S. Paulo
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