Cinco passos para usar lentes de contato sem medo

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Oftalmologista da USP esclarece as principais dúvidas desde a escolha da lente e os cuidados básicos no uso diário até a hora certa de trocar o acessório

Você sabia que 15% das pessoas que precisam de algum tipo de correção visual não têm condições fisiológicas ou não são compatíveis com o uso de lentes de contato? No Brasil, esse número chega a 14,85 milhões. “Somente o oftalmologista é capaz de diagnosticar se um indivíduo está ou não apto à adoção de lentes corretivas e indicar o tipo ideal para cada pessoa”, explica Milton Ruiz Alves, professor associado da FMUSP e Chefe do Setor de Córnea e Doenças Externas Oculares do Hospital das Clínicas da FMUSP.

No Brasil, cerca de 8,4 milhões de pessoas são usuárias de lentes de contato, segundo dados da Sociedade Brasileira de Lentes de Contato (SOBLEC). Se você é ou deseja tornar-se um deles, confira as recomendações do Dr. Milton Ruiz Alves para aproveitar ao máximo essa praticidade sem prejudicar a saúde dos seus olhos.

1)          PRESCRIÇÃO MÉDICA

Você decidiu aderir às lentes de contato. O primeiro passo é consultar um oftalmologista para saber se é portador de alguma alteração ocular que o impeça de seguir adiante. Em caso afirmativo, o médico vai analisar as características específicas dos seus olhos para diagnosticar a lente adequada para seu caso. Isso vale também para os usuários de lentes coloridas.

Atenção: a prescrição dos óculos não serve para lentes de contato! O exame para escolher o tipo de lentes de contato é específico, envolve a avaliação da anatomia e da função do olho para saber se o olho pode usar a lente. O grau das lentes pode ainda ser diferente do grau presente na receita dos óculos.

Todos os tipos de lentes, mas principalmente as coloridas, dificultam a oxigenação dos olhos, o que pode gerar problemas como perda de transparência da córnea ou desenvolvimento de infecções. A consulta oftalmológica é fundamental para a prevenção de tais complicações. Para apontar a lente correta, o médico irá analisar diversos aspectos, como diâmetro, curvatura, espessura e revestimento da lente, além da permeabilidade ao oxigênio que é característica de cada material e variável com a espessura da lente.”

2)        ADAPTAÇÃO

Depois de adquirir suas lentes de contato no local de sua preferência tenha em mente que talvez você precise de tempo para se adaptar. Então, nada de tentar acompanhar aquele seu amigo que usa a lente por dez horas por dia todos os dias.

 A adaptação das lentes de contato é um processo contínuo e dinâmico, que pode variar de pessoa para pessoa. O oftalmologista pode recomendar, por exemplo, que você comece usando a lente durante algumas horas e por períodos alternados durante o dia; e diminua o intervalo com o tempo. Não insista no uso prolongado das lentes de contato se os seus olhos apresentarem resistência a esse período. Respeite o seu ritmo.

3)       ROTINA DE HIGIENE

É muito importante manter a higiene no uso e na manutenção das lentes de contato com produtos desenvolvidos para esta finalidade. Estabeleça uma rotina que deve ser cumprida à risca diariamente: lave bem as mãos com água e sabão e seque-as com cuidado antes de manusear as lentes para não deixá-la com partículas ou fiapos. Limpe semanalmente o estojo de conservação, com água e sabão, usando uma escova exclusivamente reservada para esse fim. Troque seu estojo de lentes no mínimo a cada três meses.

O soro fisiológico não limpa as lentes adequadamente e também não é alternativa correta para conservá-las no estojo. Incapaz de eliminar os depósitos de proteína das lentes, o soro pode deixá-las contaminadas, menos confortáveis e até causar reações. Sempre que removidas dos olhos, as lentes de contato devem ser limpas e desinfetadas, antes de guardadas no estojo. Atualmente, há soluções multipropósito, que servem ao mesmo tempo para limpar, enxaguar e desinfetar as lentes, além de mantê-las hidratadas durante o uso.”

Saiba que toda lente de contato se movimenta no olho a cada piscar, podendo se deslocar em alguns casos. Tenha sempre um óculos, para ser usado em situações inesperadas, como a perda da lente, conjuntivites, irritações etc.

4)        ROTINA DE USO

Evite o uso excessivamente prolongado das lentes e sempre que possível dê um descanso para os olhos. O tempo máximo recomendável para o uso é de 12 a 14 horas por dia. Não é aconselhável dormir com as lentes de contato, mesmo aquelas de uso prolongado. Este hábito pode favorecer o desenvolvimento de úlcera de córnea.

O aparecimento de qualquer tipo de úlcera nos olhos é sempre considerado um quadro grave, já que pode deixar sequelas visuais importantes, podendo inclusive levar à perda total da visão e até do olho nos casos em que há evolução para endoftalmite. A úlcera causada pela bactéria Pseudomonas é especialmente danosa e pode levar à perfuração do olho entre 24 horas a 48 horas.

Diante do aparecimento de vermelhidão nos olhos associada ao lacrimejamento e intolerância à luz, deve-se retirar as lentes de contato imediatamente. Se os sintomas não desaparecerem em seis horas, procure atendimento médico imediatamente.“

Em ambientes diversos

Não é proibido entrar no mar ou na piscina com lentes de contato, mas também não é recomendável. Quando for nadar, o mais indicado seria deixar as lentes de contato guardadas. É que substâncias como o cloro da piscina ou microorganismos nada bem-vindos presentes na águas do mar e das piscinas podem se alojar nas lentes. Quem resolve se arriscar a mergulhar com a lente contato deve manter os olhos fechados para não perdê-la na água. Se insistir em cair na água de lente, não se esqueça de fazer uma boa limpeza e desinfecção na lente para poder voltar a usá-la. Nadadores profissionais devem privilegiar o uso de óculos de natação com grau. Cuidado redobrado quando o plano for curtir uma sauna, onde o ambiente é ainda mais favorável à contaminação.

 Dentro de aviões, o uso também não é recomendado, devido ao ressecamento causado pelo ar condicionado e pela baixa umidade. Se preferir, use um colírio lubrificante, como os que imitam a lágrima natural.

 Situações adversas

Quem sofre da Síndrome do Olho Seco, infecções ou inflamações oculares deve tratar o problema antes de adquirir o acessório. Até mesmo irritações leves, como as provocadas por uma alergia simples ou um cisco, podem se agravar. Em outras situações, porém, o uso de lentes chega a ser bem-vindo, segundo os especialistas. Pessoas com doenças como a ceratocone ou submetidas a algumas cirurgias de correção de miopia e transplante de córnea precisam usar lentes de contato para uma boa recuperação da visão.

5)        DESCARTE

Respeite a data de validade da sua lente de contato, de acordo com as recomendações do fabricante. Consulte o seu oftalmologista pelo menos uma vez ao ano para exame ocular e avaliar a adaptação da lente. Se houver problemas, você poderá obter a indicação de uma nova lente com material e desenho mais adequado para o olho e ainda modificar o tempo de uso.

A manutenção correta das lentes é essencial para a prevenção de complicações infecciosas, tóxicas e alérgicas”.

A adaptação às lentes de contato é um processo permanente, que só acaba quando a pessoa deixa de usá-las. Isso porque o usuário pode estar bem com sua lente de contato durante anos, mas a situação ocular pode mudar a qualquer momento porque o olho, a lente e possíveis fatores ambientais estão constantemente interagindo. Por isso é importante estar sempre atento ao aparecimento de alterações nos olhos e consultar um oftalmologista regularmente.


Source: In Press Porter Novelli
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