Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), doenças infecciosas que afetam a córnea são responsáveis por 25% das causas de cegueira no mundo. A ceratite figura entre as principais infecções nessa região ocular e suas causas são atribuídas a ação de vírus, fungos e bactérias. Também se manifestam como reação a antibióticos, falta de higiene ou traumas oculares. No entanto, segundo o oftalmologista Vitor Saques Neto, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), detectar precocemente os sintomas da ceratite e iniciar o tratamento o mais rápido possível é a única forma preservar a visão.
Sintomas – Muitos sinais da ceratite variam conforme a causa, mas “a vermelhidão, lacrimejamento, dor intensa na região ocular, visão turva, secreção ocular amarelada e forte sensibilidade à luz são mais frequentes. Ao perceber esses sintomas, o paciente deve procurar um oftalmologista”, aconselha o especialista do HOB.
Entre as causas da ceratite estão as infecções parasitárias. Nestes casos, os parasitas contaminam os olhos a partir de hábitos pouco higiênicos. “Quando uma pessoa não lava as mãos após usar o banheiro e, posteriormente, esfrega os olhos, pode infectá-los com parasitas. Ou ainda quando usuários de lentes de contato permanecem por tempo prolongado e ininterrupto com esses corretores da visão e não permitem a oxigenação da córnea, aumentam as chances de contrair infecções”, explica o Saques Neto.
Entre outras causas da ceratite estão traumas oculares, os vírus da herpes, rubéola, sarampo e caxumba, alergias e olho seco. Segundo o médico, “aqueles que sofrem de alergias graves ou tem a síndrome do olho seco crônico tem um fator de risco aumentado para desenvolver a ceratite”.Tratamento – O primeiro passo para começar o tratamento correto é obter um diagnóstico correto. “O tratamento varia de acordo com a causa da ceratite. Se o problema for olho seco, por exemplo, há a indicação de lágrimas artificiais, ou quando há uma infecção bacteriana o tratamento é feito a base de antibióticos. Em casos mais avançados da doença, quando já há úlceras oculares ou perda da qualidade e quantidade da visão, o tratamento cirúrgico ou o transplante de córnea podem ser indicados”, explica.
Saques Neto lembra que os cuidados com a higiene são essenciais para evitar a contaminação dos olhos com bactérias, vírus ou fungos. O médico também adverte que, no caso dos usuários de lentes de contato, o risco de contaminação pode ser reduzido se houver o hábito da remoção das lentes durante a noite e com a limpeza cuidadosa antes de cada utilização.
