Problemas visuais estão associados a um alto risco de demência

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Um novo estudo sugere que idoso com prejuízo visual, especialmente os problemas visuais não tratados, podem ter risco de desenvolver demência mais alto do que aqueles com uma visão melhor.  

Os pesquisadores descobriram que entre 625 idosos norte-americanos com cognição inicialmente normal, aqueles que relataram prejuízo visual, mesmo com o uso de lentes corretivas, foram mais propensos a desenvolver demência durante os próximos 8,5 anos.

Durante o período do estudo, 168 participantes desenvolveram doença de Alzheimer ou outras formas de demência. Destes homens e mulheres, menos de 10% consideravam sua visão “excelente” ao início do estudo. Isso se comparou a quase 31% dos participantes que mantiveram uma função cerebral normal durante o período estudado.

Por outro lado, cerca de um quarto dos participantes do estudo que desenvolveram demência classificaram sua visão como “boa” ou “ruim” no início, versus 11% daqueles cuja memória e pensamento permaneceram intactos.

Quando os pesquisadores observaram os efeitos do tratamento, eles concluíram que as chances mais altas de demência foram entre pessoas com um comprometimento visual não tratado. O risco foi mais baixo com algumas formas de tratamento ocular.

Os resultados, publicados na edição eletrônica do American Journal of Epidemiology, não provam que os problemas visuais contribuem para a demência – ou que o tratamento ocular ajuda a reduzir o declínio cognitivo.

Mas eles sugerem que este poderia ser o caso, segundo a pesquisadora principal, Dra. Mary A.M. Rogers, da University of Michigan, em Ann Arbor.

Sabe-se há muito tempo que existe uma associação entre a demência e os distúrbios visuais, observou a Dra. Rogers em uma entrevista à Reuters Health. Mas, na prática, esses problemas são geralmente detectados e tratados após um diagnóstico de demência.

Os resultados atuais, disse ele, mostram que os problemas visuais podem preceder um diagnóstico de demência por anos.

Não está claro por que os distúrbios oculares e o prejuízo visual contribuiriam para a demência. Uma possibilidade é que uma visão limitada poderia manter os idosos de serem ativos – seja saindo ou caminhando, lendo, fazendo palavras cruzadas ou socializando, afirmou a Dra. Rogers. Todas essas coisas têm sido associadas a uma diminuição do risco de demência em idosos, ela acrescentou.

Os 625 indivíduos no estudo foram parte de um estudo de saúde maior, iniciado em 1992.

Em geral, concluiu a equipe da Dra. Rogers, os participantes do estudo que referiram uma visão “muito boa” ou “excelente” tiveram uma probabilidade 63% mais baixa de desenvolver demência nos próximos 8,5 anos em comparação àqueles com prejuízo visual.

Os pesquisadores então observaram os efeitos combinados de problemas visuais com ou sem tratamento sobre o risco de doença de Alzheimer, especificamente. Comparadas às pessoas com boa visão e que visitaram pelo menos uma vez o oftalmologista durante o período do estudo, aqueles com uma visão ruim foram mais de 9 vezes mais propensos a receber um diagnóstico de Alzheimer.

Porém, para os indivíduos com uma visão ruim e pelo menos uma visita ao oftalmologista, o risco de Alzheimer não aumentou significativamente.

Da mesma forma, homens e mulheres com prejuízo visual e que não passaram por procedimentos visuais, como cirurgia para catarata, apresentaram um aumento de 5 vezes no risco de doença de Alzheimer, comparados a um aumento de 2,5 entre pessoas com prejuízo visual submetidas a esses procedimentos.

Segundo a Dra. Rogers, os resultados implicam que idosos com problemas visuais devem buscar o tratamento – mesmo que pela única razão de melhorarem sua visão.

De acordo com a Dra. Rogers, são necessários mais estudos para replicar os resultados atuais e determinar se os problemas visuais são, de fato, um fator de risco para demência. Com o aumento do número de pessoas com doença de Alzheimer, disse ela, está se tornando ainda mais importante “observar todas as coisas que podemos fazer para atrasar ou prevenir a demência”.

Source: Medcenter
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