Ceratocone: um mal silencioso e desconhecido

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Doença, que em alguns casos requer até transplante de córnea para correção óptica, atinge 0,05% da população é o que explica o especialista brasileiro que apresentou o tema em congresso nos EUA.

Os problemas de visão, para muitas pessoas, se resumem a três: astigmatismo, hipermetropia e miopia. As outras doenças mais graves, por não afetarem uma parcela significativa da população, acabam tornando-se pouco discutidas e prevenidas, e, assim sendo, deixando os pacientes mais vulneráveis. Esse é o caso do ceratocone, que deixa a córnea mais fina - no formato de um ´cone´ - devido a pressão interna dos olhos que a projeta para frente.
A doença, que é indolor e não-inflamatória, é caracterizada por um afinamento progressivo da porção central da córnea. Com esse afinamento, a pessoa percebe uma baixa na qualidade da visão, podendo variar o grau de acordo com o tecido corneano afetado. Para o oftalmologista Waldir Portellinha, da Clínica Oftalmológica Dr. Portellinha e presidente do Conselho da Sociedade Brasileira de Cirurgia Refrativa, "este mal em 90% dos casos atinge os dois olhos e se inicia, geralmente, na adolescência, lentamente, como uma espécie de miopização e astigmatismo no olho, podendo evoluir em alguns meses, ou, em outros casos, levar anos para se desenvolver".
O especialista, que abordou o tema em congresso nos EUA na última semana, afirma que "se a pessoa for diagnosticada em estado precoce da doença, a perda da visão poderá ser corrigida pelo uso de óculos. Já com o astigmatismo irregular e estágio mais avançado é necessário o uso de lentes de contato rígidas. Em alguns casos, quando a doença atinge um grau avançado - em aproximadamente 20% dos casos -, o transplante corneano é a única saída para a correção óptica".
Para os pacientes que necessitam de transplante, o procedimento é rápido e prático. Doutor Portellinha lembra "que não é necessária a internação, porém, a pessoa deve passar por um rígido acompanhamento ambulatorial. Após a intervenção cirúrgica, é realizado o ponto, que será retirado seis meses depois". Mas fica a ressalva "que este ponto não prejudica a visão durante o período de pós-operatório".
Após este período, assim como todas as pessoas - que sofrem ou não da doença -, o paciente só necessitará de um check-up oftalmológico anual para evitar eventuais problemas de visão.
Conjuntivite X Ceratocone
Muitas pessoas acreditam que coçar os olhos pode causar ceratocone, já que o contato do dedo com a córnea poderia prejudicá-la. O oftalmologista garante que "quem sofre com esta doença costuma ter conjuntivite alérgica (coceira nos olhos), mas nem todas as pessoas que tem conjuntivite alérgica sofrem de ceratocone.

Source: Ato Z Comunicação
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