Glaucoma, nem sempre silencioso
O glaucoma é conhecido como doença traiçoeira, que ataca seu portador de forma silenciosa, sem apresentar sinais. No entanto, há um tipo de glaucoma que emite alertas, sim. É o glaucoma agudo ou fechamento angular primário. "O olho humano possui fluídos que circulam no globo ocular. Quando há uma produção de fluído maior do que a capacidade de escoamento, temos o glaucoma de ângulo aberto, o mais comum, presente em quase 50% dos casos. No entanto, quando a produção está normal e a capacidade de escoamento é reduzida, temos o quadro de glaucoma de ângulo fechado ou agudo, que, normalmente, emite uma série de sinais", explica o oftalmologista, especialista em glaucoma, do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), Juscelino de Oliveira.
O glaucoma agudo será o tema da palestra promovida pelo HOB para marcar o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma em 26 de maio, no Salão Austregésilo de Athayde, auditório do Templo da Boa Vontade, em Brasília (DF), às 20h.
O glaucoma, ou neuropatia óptica glaucomatosa, é resultado de dano no nervo óptico determinado, principalmente, pela pressão intra-ocular inadequada. Os diversos tipos de glaucoma representam a segunda maior causa de cegueira no mundo, sendo a maior nos casos de perda irreversível de visão.
O glaucoma de ângulo aberto, o tipo mais comum, só apresenta os primeiros sinais depois da perda de 40% a 50% da estrutura do nervo óptico. Já o glaucoma de ângulo fechado, ou agudo, segundo descrição do médico, vem acompanhado de dor intensa nos olhos, embaçamento visual, visualização de halos coloridos ao redor das luzes, vermelhidão ocular, dor de cabeça, náuseas e vômito.
Emergência - Segundo Juscelino, as crises de glaucoma agudo podem vir de forma parcial, em ciclos transitórios, ou apresentarem-se de forma total, com o fechamento abrupto do escoamento dos fluídos oculares. "Esse rápido aumento de pressão pode ocorrer no prazo de horas e tornar-se extremamente doloroso. Os olhos ficam avermelhados e a córnea inchada e opaca. Uma crise aguda de glaucoma é uma condição de emergência oftalmológica. Se há demora em iniciar o tratamento, o paciente pode perder a visão definitivamente", alerta o especialista.
Fatores relacionados - Em geral, a prevalência do glaucoma varia de acordo com a idade e com a raça, sendo associada a outros fatores de risco. "Indivíduos, principalmente mulheres, com idade acima de 40 anos, portadores de diabetes, míopes, usuários de esteróide corticóide, hipertensos, que já sofreram algum trauma ocular pertencem ao grupo de risco do glaucoma.
Entretanto, os fatores hereditariedade e raça são mais decisivos. Pessoas da raça negra com histórico familiar da doença têm mais chances de apresentar o glaucoma de ângulo aberto. Já os indivíduos de raça amarela ou descendentes de orientais e esquimós, estatisticamente, são vítimas mais freqüentes do glaucoma agudo", explica Juscelino.
Curiosidade - O médico lembra, ainda, que há episódios curiosos que facilitam o desencadeamento das crises de glaucoma. "Sabe-se que a pupila dilata em momentos de estresse e ansiedade. Como consequência, muitas crises de glaucoma agudo podem ocorrer durante períodos de estresse. Além disso, o transitar em ambientes onde há muita diferença de luminosidade, um lugar muito claro e um muito escuro, como um cinema ou teatro, pode favorecer o aparecimento desses ataques também".
Prevenção - Tanto para o glaucoma de ângulo aberto, quanto para o agudo, a prevenção é o melhor tratamento. "O glaucoma de ângulo fechado é ainda mais prevenível do que o convencional, porque pode ser facilmente diagnosticado através de um exame chamado gonioscopia. O exame consiste na verificação biomicroscópica do chamado "seio camerular", que é a região por onde o fluído ocular escoa. Detectando-se um ângulo oclusível, ou seja, passível de desencadear o glaucoma agudo, o paciente é submetido a tratamento a laser que previne o surgimento da elevação súbita da pressão intraocular, esclarece Juscelino.
Tratamento - O procedimento indicado para tratar o glaucoma agudo é o chamado iridotomia a laser. Consiste em uma perfuração na periferia da íris que tem como objetivo permitir o tráfego do fluído ocular, quando obstruído pelo fechamento do local da drenagem (região próxima à córnea e à íris). O laser é um procedimento rápido, indolor, explica o médico do HOB. Ele diz que um colírio anti-inflamatório é prescrito por alguns dias no período pós-cirúrgico.
Em casos emergenciais, a iridotomia também é indicada, mas os cuidados são maiores, tanto no momento da crise, quanto posterior a ela. "Quando realizamos o tratamento em um paciente em crise de glaucoma agudo, a visualização das estruturas do olho são comprometidas, o que dificulta o procedimento".
Além disso, a dor intensa incomoda o paciente. É mais aconselhável que o paciente seja submetido ao laser assim que for diagnosticada a possibilidade de oclusão, ao invés de esperar o surgimento de uma crise para tratar o problema", observa o especialista do HOB.
Serviço:
Palestra / tema: Glaucoma Agudo
Data: 26 de maio de 2010 - Dia Nacional de Combate ao Glaucoma
Local: Salão Austregésilo de Athayde, no Templo da Boa Vontade
Endereço: SGAS Quadra 915, W5 - Brasília
Horário: 20h
Entrada: Franca
Inscrições pelo telefone: (61) 3442-4094 *Importante fazer a inscrição com antecedência em razão do limite de lugares.
Source: ATF Comunicação
