"Minha luta é para não ficar cego"

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         Com uma pasta de documentos debaixo do braço, Romeu Aranha, 45 anos, busca seus direitos. Desde que cumpriu sua pena por receptação de veículo roubado, o mecânico tenta dar continuidade ao seu tratamento de glaucoma (aumento da pressão intra-ocular que pode evoluir para cegueira), em Jundiaí.
         Segundo Aranha, duas consultas com um oftalmologista (uma em 28/7 e outra em 1º/9) foram desmarcadas por falta do profissional. "Estou sem orientação médica e sem os colírios de que necessito pingar nos olhos, já que só posso comprá-los com receita", conta Aranha, que está desempregado e com dificuldades financeiras para adquiri-los.
         As consultas deveriam acontecer na Unidade Oftalmológica de Jundiaí, na rua Rangel Pestana, um serviço terceirizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS).
         Os problemas visuais de Aranha surgiram após um acidente automobilístico em 1980. A progressiva perda da acuidade visual diagnosticada após uma infecção acentuou-se em 1989. Há três anos, o mecânico conta que chegou a procurar um serviço particular para o tratamento, mas em vão, pois não conseguiu realizar os exames solicitados.
         Detido em 2003, Aranha cumpriu parte de sua pena na cidade de Avaré. "Lá, apesar de me queixar do problema ninguém nunca permitiu que eu fosse tratado".
         O diagnóstico de glaucoma só veio com o tratamento realizado em Botucatu, no Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu/Unesp. De volta a Jundiaí, Aranha tentou continuar seu tratamento na cidade, mas não conseguiu: "Não tenho como pagar as viagens para Botucatu. Para continuar sendo atendido lá tenho que comparecer pelo menos três vezes por mês ao ambulatório. De julho para cá não consegui mais me tratar e não quero perder minha visão. Estou lutando para não ficar cego."
         A SMS informou, na tarde de ontem, que uma nova consulta para que Aranha seja avaliado por um especialista foi agendada para amanhã, às 8 horas. O mecânico também pretende entrar com uma ação judicial que lhe garanta o direito de receber gratuitamente os colírios, já que o único medicamento que consegue na rede básica de saúde é o corticóide que ingere via oral, diariamente

Source: Jornal de Jundiaí On line
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