Equipamentos ampliam possibilidades de comunicação de deficientes

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Há dois meses, a distância entre a estudante Luciana Gonçalves de Novaes, que ficou tetraplégica depois de ser baleada no pátio da Universidade Estácio de Sá, e o mundo além das paredes do quarto da unidade de tratamento semi-intensivo em que está internada faz um ano ficou menor. Um equipamento de ponta, doado por uma fundação de Manaus, está permitindo a ela usar o computador - e dando um exemplo de como a tecnologia pode ajudar vítimas de limitações físicas graves a vencer barreiras de comunicação. No caso de Luciana, um mundo novo num piscar de olhos.O mouse ocular que ela usa foi doado pela Fundação Paulo Feitosa e desenvolvido há oito anos pelo professor Manuel Augusto Pinto Cardoso. O equipamento permite que o tetraplégico use o computador, comandando o cursor através de movimentos feitos pelos músculos faciais quando se muda a direção do olhar. Sensores ligados no rosto da pessoa respondem de maneira codifica aos movimentos e enviam comandos para o mouse.O teclado foi reproduzido na tela para que, com os movimentos do rosto, correspondentes a comandos oculares, sejam escritos textos. Agora, já mais desenvolvido, o equipamento permite acessar a internet, enviar e receber e-mails. O tempo de adaptação é curto, apenas uma semana. O custo do equipamento é, em média, de R$ 400. Ainda neste ano, um equipamento semelhante estará disponível para facilitar a comunicação de pessoas com o mesmo tipo de deficiência, por um custo de aproximadamente R$ 10. O programa, na fase final de testes, está sendo desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).Com o auxílio de um acionador, que pode ser usado na boca, na mão, na cabeça, pessoas com dificuldades motoras ou paralisia cerebral poderão acessar o computador - explica o coordenador do núcleo, professor Antônio Borges. Melhorar a qualidade de vida de deficientes é um dos principais focos do núcleo. O Vosvox, criado há dez anos, é o projeto mais conhecido e permite a pessoas que não enxergam usar o computador. Por enquanto, os comandos de voz são reconhecidos apenas em português, mas os de texto podem ser usados em outros idiomas. Atualmente, cerca de 8 mil deficientes visuais usam o programa, no Brasil e em países como México, Uruguai e Portugal. Uma das vantagens do programa é ter grande parte das mensagens sonoras emitidas em voz humana gravada, permitindo o uso contínuo do sistema pelo usuário. Este e outros programas estão disponíveis na internet, no endereço www.intervox.nce.ufrj.br.Outro projeto desenvolvido pelo professor Manuel Augusto Pinto Cardoso foi chamado de "Voz do mudo". Uma luva traduziria os gestos em palavras emitidas por uma voz eletrônica, o que possibilitaria o uso do telefone. Caso a pessoa seja também surda, como acontece na maioria dos casos, a mensagem telefônica seria transformada de voz para texto. Duas empresas de telefonia celular estão interessadas no projeto, mas ainda não há previsão para sua implementação.Para ajudar os deficientes visuais, o professor Manuel, em parceira com a Coppe-Ufrj, está desenvolvendo um terceiro equipamento para ajudar os deficientes visuais, uma espécie de lanterna para cegos: a bengala receberia uma câmera e identificaria os objetos e sua distância do deficiente.

Source: O Globo
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