De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a criança com deficiência física, auditiva, visual e mental pode e deve estudar em classes regulares. "Essa inclusão, no entanto, por se tratar de uma situação inédita, exige a aquisição de novos conhecimentos para que a tarefa seja bem-sucedida", diz a professora de Educação Física Marli Nabeiro, do Departamento de Educação Física da Faculdade de Ciências, campus de Bauru e membro do Laboratório de Pesquisas em Educação Física (Lapef), da UNESP. Marli é autora do trabalho de pós-doutorado "Inclusão de alunos com deficiência visual em turma regulares de Educação Física", realizado na State University New York, entre junho de 2001 e junho de 2002. Segundo a pesquisadora, "a inclusão é uma situação nova até mesmo em países considerados mais avançados". Em conjunto com outras colegas americanas, ela utilizou a estratégia do "colega tutor", que consiste em treinar companheiros de classe que se dispõem a participar da aula auxiliando um aluno com deficiência. Os "colegas tutores" receberam instrução para a utilização de estratégias de ensino adequadas para alunos com deficiências visuais. No caso específico da disciplina de Educação Física, os "tutores" devem utilizar as estratégias verbal e a tátil ou proprioceptiva para descrever os movimentos que o exercício exige e fazer com que seu colega com deficiência consiga realizá-lo. Marli explica que o professor não tem condição de dar atenção preferencial em uma classe com cerca de 35 alunos. "A estratégia do 'colega tutor', além de colaborar com o professor, auxilia o aluno com deficiência que não tem recurso para acompanhar a aula sozinho." Durante a elaboração do Projeto, as aulas foram gravadas e posteriormente analisadas com a finalidade de avaliar a atividade motora dos alunos portadores de deficiências visuais antes e depois da intervenção dos "colegas tutores". Segundo Marli, antes da realização do Projeto, os deficientes com perda total da visão não participavam das aulas e aqueles com deficiência parcial demoravam para perceber as instruções e executar os movimentos. "Eles sentiam dificuldade até para trocar de roupa", diz. Após a intervenção, houve aumento significativo no tempo de participação das aulas e os alunos que antes esperavam foram envolvidos nas atividades. Maior interação entre os estudantes foi outro aspecto positivo da inclusão, sem contar a melhora na auto-estima, inclusive dos "colegas tutores". "Concluímos que a estratégia desenvolvida permite a inclusão, com sucesso, de alunos com deficiência visual em classes regulares de Educação Física", constata Marli Nabeiro. A tarefa agora, de acordo com a pesquisadora, é adaptar sua pesquisa para as escolas brasileiras. "Também estou propondo à Edunesp a tradução do livro 'Strategies for inclusion: a handbook for physical educators', importante instrumento para subsidiar a prática da inclusão", destaca.
