O melhor é investir em políticas públicas. defendem especialistas

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Boa parte das cidades do interior costuma ter o hospital como ponto de referência. o local onde as pessoas se curam e encontram amigos. O sonho de todo profissional de saúde coletiva é que praças e espaços públicos voltem a ser referência nas grandes cidades. Só dessa forma os hospitais se tornariam mais "saudáveis". Essa tese. entre outras. está escrita na Carta de Santos. redigida e aprovada ontem. no encerramento do 7º Encontro Paulista de Saúde Pública. "O resgate dos espaços públicos de convivência. onde as pessoas se encontram e fazem caminhadas. faz parte da visão contemporânea da saúde". diz Paulo Capucci. presidente da Associação Paulista de Saúde Pública (APSP). que organiza o congresso. "Nossa proposta é que as políticas públicas privilegiem a promoção da saúde. e não apenas os hospitais". disse Capucci. O termo saúde coletiva teria sentido mais amplo do que saúde pública. que ficaria limitado a uma ação do Estado. Já na saúde coletiva haveria participação da sociedade. Por esse motivo. a saúde coletiva passou a receber cada vez mais profissionais de outras áreas. após passarem por cursos de especialização nas poucas escolas de saúde pública do país. Um exemplo é Francisco Comaru. engenheiro civil que faz doutorado na Faculdade de Saúde Pública da USP e é pesquisador do Centro de Estudos e Documentação das Cidades Saudáveis (Cepedoc). Ele é um dos coordenadores de um projeto de cidade saudável no litoral paulista. Aurea Ianni. vice-presidente da APSP. é socióloga. com especialização em saúde pública. "Aprendi na prática. trabalhando com equipes municipais de saúde. depois fui me especializar". diz. A função das ciências sociais na saúde coletiva está cada vez mais destacada. tanto que já existe um congresso nacional de ciências sociais em saúde. Esses especialistas contribuem para o planejamento em saúde pública. passando a considerar variáveis como faixa etária. gêneros e identidades. que contribuem para ações como as vacinações em massa. A Carta de Santos aponta ainda para um reposicionamento dos profissionais sanitaristas. Uma das possíveis direções seria o reforço à atenção básica e aos cuidados preventivos. Direito Na carta. os participantes também destacaram que os direitos sociais. entre eles o direito à saúde. são questões centrais da política. Por isso. não podem ser produtos do mercado. mas sim objeto e responsabilidade do Estado com a participação de toda a sociedade civil. Deixar os direitos sociais à deriva dos mecanismos do mercado -mesmo quando há uma suposta regulação do governo- é aumentar as desigualdades e a exclusão social.

Source: Folha de São Paulo - 04 de outubro de 2001
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